A knafeh (kunafa ou ainda künefe) é uma sobremesa quente tradicional do Egito à Turquia, passando pela Palestina, Israel, Jordânia, Líbano e Síria. A origem exata da knafeh é debatida. Existem histórias que atribuem sua criação às cortes omíadas, abássidas ou fatímidas e contam que médicos teriam recomendado o doce a califas para ajudá-los a suportar o jejum do Ramadã. São narrativas populares e antigas, mas não há documentação suficiente para tratá-las como fatos históricos comprovados.
O que sabemos com mais segurança é que preparações chamadas kunāfa aparecem em livros árabes de cozinha da Idade Média, sendo os mais antigos dos séculos XIII e XV, no Egito, na Síria e em Al-Andalus (atual Espanha). Essas versões, porém, eram diferentes da sobremesa atual: usavam discos muito finos de massa, semelhantes a um crepe, que podiam ser cortados, fritos e misturados com mel, açúcar, óleo de gergelim, água de rosas, amêndoas ou pistaches.
Ao longo dos séculos, a receita viajou e foi transformada pelas cozinhas árabes e otomanas. A massa passou a assumir a forma de fios extremamente finos — massa kataifi ou kadayif , conhecida no Brasil como "cabelinho de anjo" — e surgiram recheios de cremes doces, castanhas e queijo. Assim, a knafeh moderna não é simplesmente uma receita medieval preservada: é o resultado de uma longa evolução culinária compartilhada por diferentes povos da região.
Nenhuma cidade está tão associada à knafeh quanto Nablus, na Palestina. Ali se consagrou a famosa knafeh nabulsiyeh, preparada tradicionalmente com uma fina farinha de semolina (e não com kataifi) e queijo nabulsi — um queijo branco conservado em salmoura, historicamente feito com leite de ovelha ou de cabra. O doce é montado em grandes bandejas redondas, assado, virado de uma vez e servido ainda quente, com o queijo derretendo sob a cobertura dourada. É um absurdo!
A knafeh tornou-se um verdadeiro emblema da cidade e uma referência da identidade alimentar palestina. Nas confeitarias do centro antigo de Nablus, ela é preparada continuamente em grandes tabuleiros, cortada diante dos clientes e consumida como sobremesa, lanche de rua e até no café da manhã.
Massa de semolina crocante ou kataifi (fios), queijo salgadinho, creme a base de nata e uma generosa calda de açúcar perfumada com água de flor de laranjeira. Massa dourada e crocante, recheio quente e macio, queijo levemente salgado e calda bem doce, pqp...
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